Artigo do presidente | A culpa é do sofá?

Há uma anedota que diz que um marido traído, mas relutando para por fim ao casamento, culpa o sofá em que teria se dado o ato de traição. Trocando a mobília para querer fazer crer que problema estaria resolvido. Assim anda o brasileiro que se alojou com unhas e dentes na proteção de um espectro político. Não quer mais saber de visões diversas das suas, muito menos que a imprensa publique algo que possa depor contra às suas escolhas políticas.




Tal qual o homem que pôs a culpa no sofá pela traição, culpa a imprensa por divulgação de notícias que possam ser desfavorável ao seu político preferido. Fala-se em cassar licença de funcionamento de emissoras, de complô da oposição e tantas outras sandices. Ora, desde que mundo é mundo a imprensa vende notícias, e a notícia que vende é o extraordinário, não relatos sem sal do dia a dia. A seletividade da imprensa lhe é inerente dado lidar com o fator tempo e espaço muito limitados. A pauta deve impressionar e ser ágil ou o negócio não prospera.


O que não pode ser seletiva é a Justiça e o aparato estatal de persecução penal. Os protocolos gerais de investigação e a presunção constitucional de inocência evidente que deve abarcar a todos. O contraponto também em reportagens acusatórias deve ser franqueado no mesmo veículo, horário e em tempo hábil para quem esteja em desfavor querendo se pronuncie. Mérito é ao depois com a Justiça. O que causa espanto é que entra governo, sai governo, é a culpa do sofá só aumenta, ou seja, revida-se no mensageiro não na mensagem. Uma lástima!


O Brasil tem regredido no tempo a passos largos quando o assunto é liberdade de imprensa e costumes efetivamente liberais da sociedade. A verdade parece que passou a ser ofensiva se não for a verdade que se quer ser ouvida. Aguardemos, pois os desdobramentos (que isentos sejam) de todos os assassinatos que ocorrem no Brasil, seja de Celso Daniel, seja de Marielle, e que se punam os responsáveis. Quanto a divulgações, que a imprensa continue sim nos informando de tudo, quem não gosta de imprensa livre que vá para Venezuela, Coreia do Norte ou outro País totalitário. Abaixo o sofá, e um viva ao telejornalismo!


Por: Ralf Zimmer Júnior